O Casamento, para além do ritual religioso, tem também o seu ritual profano, como o lançamento de arroz, flores e de outras manisfestações folclóricas. Nalgumas localidades, recitavam-se versos, aos quais davam o nome de luas ou loas, aos noivos, onde está bem patente o conceiro de indissolubilidade do matrimónio.de Nespereira, CinfãesAs amigas dos noivos esperavam o cortejo nupcial à saida da igreja e diziam:Façam alta, meus senhores,
Façam favor de esperar:
Queremos dar este ramo
A quem vem de se casar.
Depois, voltando-se para a noiva, continuavam:
Aqui tens este raminho
Feito da raiz dum cravo.
Que Nosso Senhor te dê
Um homem do teu agrado.
Aqui tens este raminho
De flores de avelaneira.
Ainda te hás-de lembrar
Da mocidade solteira.
O laço que te prendeu
Era de seda amarela.
Não o tornes a desdar,
Fica sempre presa nela.
O laço que te prendeu
Era de seda torcida.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o toda a vida.
O laço que te prendeu
Era de seda bem forte.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o atá á morte.
Textos retirados do livro: Literatura Popular de Trás os Montes e Alto Douro, IV Volume (Miscelânea) por Joaquim Alves Ferreira Ano: 1999
Bailemos nós já tôdas três, ai amiga,
So aquestas avelaneiras froildas
E quen fôn velidas, como nós, velidas,
Se amig'amarSo aquestas avelaneiras frolidas
Verrá bailar.
Baliemos nós já todas três, ai irmanas,
So aqueste ramo desta avelanas,
E quen bem parecer, como nós parecemos
Se amig'amar
So aqueste ramos destas avelanas
Verrá bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr'al non fazemos
So aqueste ramo frolido bailemos
E quen bem parecer, como nós parecemos,
So aqueste ramo so lo que bailemos
Se amig'amar
Verrá bailar.
daqui